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Vinícius Jordan Fehlberg.
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- 29 de outubro de 2022 às 09:10 #43874
Frank BritoParticipanteUma dúvida que muitos tem é a seguinte:
Sob o Novo Pacto, o sistema de bênçãos e castigos de Deuteronômio 28 continua a vigorar?
1 – Em Deuteronômio 28, o objetivo de Moisés em seu discurso é ensinar que Deus abençoaria (v. 1-13) ou castigaria (v. 14-68) Israel de acordo com suas obras. Em Deuteronômio 28, isso é dito especificamente para Israel, mas outras passagens deixam claro que a mesma norma se aplica aos gentios. Sobre isso, devemos considerar que:
i. Em Levítico 18:24-30 e 20:22-24, encontramos o mesmo princípio de Deuteronômio 28:14-68, que Israel poderia ser castigado por transgredir seus mandamentos contra perversões sexuais. Ao dizer que Israel poderia ser punido por essas transgressões, os textos mencionam os povos cananeus, que eram gentios, como exemplos. Os cananeus seriam destruídos por transgredir os mandamentos de Deus contra perversões sexuais. Esse é o princípio de Deuteronômio 28:14-68 sendo aplicado a outras nações.
ii. A história da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 18-19) também é apresentada no Pentateuco como um exemplo negativo. Ao descrever os castigos que poderiam vir sobre Israel, Deus disse: “Então dirá à geração vindoura, os vossos filhos, que se levantarem depois de vós, e o estrangeiro que virá de terras remotas, vendo as pragas desta terra, e as suas doenças, com que o Senhor a terá afligido; e toda a sua terra abrasada com enxofre, e sal, de sorte que não será semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma; assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o Senhor destruiu na sua ira e no seu furor” (Dt 29:22-23). Ou seja, a história da destruição de Sodoma e Gomorra aparece no Gênesis com o objetivo de ilustrar o que Deus pode fazer com nações rebeldes. Sendo assim, Gênesis 18-19 contém o princípio de Deuteronômio 28:14-68 sendo aplicado aos gentios. Essa é a mesma ideia da profecia de Isaías 1. Em Isaías 1, o povo de Israel é chamado de “Sodoma” e “Gomorra” (v. 9-10) como forma de dizer que eles tinham pecados parecidos e que eles poderiam ser julgados por Deus como Sodoma e Gomorra foram. Se o juízo de Israel é a aplicação de Deuteronômio 28:14-68, então essas passagens mostram que o mesmo princípio se aplica aos gentios. Aliás, no próprio contexto da destruição de Sodoma e Gomorra, Abraão confessou que Deus é “o Juiz de toda a terra” (Gn 18:25).
iii. A destruição do Egito, que é um evento muito significativo na história do Pentateuco, é uma aplicação do de Deuteronômio 28:14-68 contra um povo gentio.
iv. Por todo o Velho Testamento, vemos Deus castigando os gentios por seus pecados. Isaías 13-24, por exemplo, contém profecias de juízo contra várias nações. Ezequiel 26-28 contém profecias sobre a destruição de Tiro. Ezequiel 29-33 contém uma profecia de juízo contra o Egito. Há muitos exemplos parecidos espalhados por todo o Velho Testamento.
2 – Muitas passagem mostram que a norma de Deuteronômio 28 continua a vigorar no tempo do Novo Pacto e não se restringe ao tempo do Pacto Mosaico:
i. No Sermão Profético (Mt 24; Mc 13; Lc 21), Jesus profetizou que, no tempo do Novo Pacto, Israel seria castigada e expulsa da terra da mesma forma que acontecia no Velho Testamento.
ii. Em 1 Coríntios 10:1-22, o apóstolo Paulo mandou ler e estudar o Pentateuco a fim de aprender sobre os juízos de Deus, argumentando que os castigos de Deus contra Israel no Velho Testamento poderiam vir contra os coríntios, que viviam sob o Novo Pacto. No capítulo seguinte, ele usa esse princípio para explicar porque, dentre os coríntios, muitos estavam doentes ou mortos (1Co 11:30). Ou seja, essas doenças ou mortes eram castigos de Deus. Era uma aplicação direta de Deuteronômio 28: “Então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas de tua descendência, grandes e permanentes pragas, e enfermidades malignas e duradouras” (v. 59).
iii. Em sua epístola, o apóstolo Judas também usa o exemplo do juízo de Israel no deserto para advertir que, sob o Novo Pacto, eles poderiam sofrer os mesmos juízos (v. 5, 11).
iv. No Apocalipse, há diversas profecias de juízos contra as nações no tempo do Novo Pacto. Por exemplo, a besta do Apocalipse era o Império Romano (Ap 17:9-10). Ou seja, os juízos de Deus contra a besta no Apocalipse foram seus juízos contra o Império Romano. “E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor” (Ap 16:10).
v. No Velho Testamento, há diversas profecias que descrevem a aplicação do princípio de Deuteronômio 28 nas nações no tempo do Novo Testamento. Por exemplo, o Salmo 2:8-12 descreve Jesus castigando e abençoando as nações depois de sua morte e ressurreição. Vemos o mesmo no Salmo 110. Os versos 5-7 descrevem Jesus, como rei e sacerdote, castigando as nações depois de sua ascensão ao céu.
3. O princípio de Deuteronômio 28 não se restringe a Israel ou ao Pacto Mosaico porque o princípio de Deuteronômio 28 está fundamentado na imutável e perpétua justiça de Deus. Deus abençoa e castiga e não pode deixar de abençoar e castigar porque ele é justo. Esse é o sentido da confissão de Abraão: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18:25) Deus não pode deixar de julgar porque Deus não pode deixar de ser justo. Essa é a grande lição do Salmo 94:
1. Ó SENHOR Deus, a quem a vingança pertence, ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente.
2. Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos.
3. Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios saltarão de prazer?
4. Até quando proferirão, e falarão coisas duras, e se gloriarão todos os que praticam a iniquidade?
5. Reduzem a pedaços o teu povo, ó Senhor, e afligem a tua herança.
6. Matam a viúva e o estrangeiro, e ao órfão tiram a vida.
7. Contudo dizem: O Senhor não o verá; nem para isso atenderá o Deus de Jacó.
8. Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios?
9. Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E o que formou o olho, não verá?
10. Aquele que repreende as nações não castigará? E o que ensina ao homem o conhecimento, não saberá? (Salmo 94)Veja que, neste salmo, é chamado de “louco” e sem sabedoria quem nega que Deus é o juiz da terra e, consequentemente, que ele repreende as nações. Veja que o argumento do salmista é fundamentado na própria natureza de Deus e o fato de que ele é o Criador. Por sua natureza ser assim e pelo fato de ele ser o Criador, ele não pode deixar de se vingar, julgar e repreender.
4. Alguns se perguntam: se Deus julga as nações, por que há nações com muitos ímpios que conseguem algum nível de grandeza e sucesso? Não é porque a norma Deuteronômio 28 não vigora, mas é porque “o Senhor é longânimo, e grande em misericórdia” (Nm 14:18). Deuteronômio 28 diz que o pecado certamente será castigado, mas não diz que ele seria castigado a todo momento. Gênesis 13:13 diz que “eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor”, mas eles não foram julgados imediatamente. Na verdade, Deus impediu que eles fossem completamente destruídos em Gênesis 14. Da mesma forma, os amorreus já eram iníquos no tempo de Abraão, mas Deus usou de misericórdia com eles até a quarta geração: “E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Gn 14:16). Aliás, esse é o sentido do que é dito no decálogo: “Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êx 20:5). O sentido é que Deus pode demorar até três ou quatro gerações para punir os pecados de um povo. Por que há essa demora? Porque ele é longânimo. Deuteronômio 28 ensina que Deus castiga. Não ensina que Deus sempre castiga imediatamente. É o mesmo em relação às bênçãos. Em Deuteronômio 28, ele promete abençoar, mas não promete abençoar com aquelas bênçãos imediatamente. Pelo contrário, antes de abençoar ele costuma enviar provações.
31 de outubro de 2022 às 09:08 #43919Vinícius Jordan Fehlberg
ParticipanteDe fato a Bíblia nós assegura que Deus é justo e julgará as nações. Mas como discernir se o juízo será terreno ou no juízo final, e o que devemos esperar do que temos visto hoje da maldade em diversas partes do mundo?
Além disso, II Cr 7.14 se refere somente a Israel ou também a qualquer nação?
2 de novembro de 2022 às 09:15 #44019Vinícius Jordan Fehlberg
ParticipanteReverendo, notei que todos exemplos citados são de castigo.
Dt 7 também parece trazer as bençãos que serão mais tardes citadas em Dt 28.
Mas Dt 7 está no contexto do estabelecimento da aliança de Deus com Israel, o pacto mosaico. Ou seja, dentro desta aliança havia as exigências dos mandamentos e as bençãos decorrentes de sua obediência.
Mas Deus não fez esse pacto com outra nação; não deveria então entender que essas bençãos estão dentro do perímetro da Aliança, portanto apenas a nação aliançada com Deus é que poderia esperar por isso? - AutorPosts
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